quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Eu quero o delírio.

Eu sou assim.

Não pretendo a integração, mas a abertura e a busca. Encontrar pode ser impossível ou desinteressante.

Quero o delírio que faça as utopias virem sentar-se na minha varanda e escrever no meu computador quando a razão estiver cansada, quando a técnica parecer frívola, ou quando eu estiver descrente.

Posso lhes dizer que somos muitos: em cada um de nós outros esperam apenas o momento de saltar fora, tirar a máscara e revelar o que talvez nos amedronte. E diremos:
- Mas isso, isso aí, também sou eu?

Preciso admitir que a ambivalência nos salva de morrermos na poeira da mesmice. Também admito que seria mais fácil ser sempre o mesmo, seria mais doce levantar a cada manhã sem o conflito e morrer enfim sem ter jamais duvidado.

Posso falar por mim ao menos, esta que escreve de um jeito e vive de outro, pensa de um modo mas faz diferente, tendo a marca da incoerência na testa e no coração a miragem da explicação para todos os desencontros. Escuto o meu interior...

E escrevo sobre sermos responsáveis e inocentes em relação ao que acontece e ao legado que deixamos. A ambivalência que atormenta, por outro lado levanta a poeira da resignação - e faz aparecer o nosso rosto.

E nos salva.

Trechos de "Legado"
Livro "Pensar é Transgredir", de Lya Luft.

2 comentários:

Wande disse...

eu tambem me sinto "muitos"... cada um tomando sua decisao no momento que se faz necessario... assim eh a vida. Gostei dela...bjs

Anônimo disse...

Franz Kafka...dias atrás ela foi a entrevistada do programa Roda-Viva, vc assistiu ?
Quero dizer que nunca li nenhum livro dessa escritora + gostei da entrevista dela.
Até +