domingo, 29 de abril de 2012


Dica de livro:

Non-Stop (Crônicas do Cotidiano)
Martha Medeiros


Como em todos os feriadões, fiz mil e um planos mirabolantes para curtir bem estes dias: ir ao cimena; ao parque; ao museu; ler todas as dezenas de livros espalhados pela casa; dormir com os "bichinhos" até mais tarde; etc, etc, etc. 

Mas, como felizmente a vida, muitas vezes (quase todas) foge de nosso planejamento, em um simples "ir ao mercado" (comprar mil coisas de que eu não precisava, diga-se de passagem) fui surpreendida pelo inesperado. Parei na sessão de livros (uma tentação 1000% irresistível pra  mim) e acabei sendo apresentada à obra de Martha Medeiros. Resultado: tudo deixado de lado; tarde e noite de domingo lendo as "Crônicas do Cotidiano".

A escritora esbanja bom humor, bom senso e uma maneira peculiar e inteligente de apresentar reflexões sobre as verdades que insistimos em não "pensá-las". Textos curtos e repletos de conteúdo.

Volto ao trabalho apenas na quinta-feira e, independente de eu conseguir executar as atividades planejadas, esta  leitura já fez meu feriado valer a pena.

Deixo, abaixo, uma das crônicas contidas no livro. Um aperitivo!!!


Para sempre, até quando?

"O filme 'Pão e tulipas' conta a história de uma dona de casa que viajava em excursão com a família, mas é esquecida pelo ônibus num restaurante de beira de estrada. Então ela aproveita a oportunidade para 'tirar férias' da vida que levava: pega uma carona, vai para Veneza e começa a excursionar sozinha por uma vida nova.
Ao sair do cinema, me lembrei da passagem do livro 'Ela é carioca', de Ruy Castro. Lá pelas tantas ele conta que determinada mulher havia viajado muito e frequentado todas as festas, até que casou, teve três filhos e por pouco não se aquietou. 'Se ela se distraísse, acabaria sendo feliz para sempre.'

Ser feliz para sempre é o final que todos nós sonhamos para nossa história pessoal. A personagem de 'Pão e tulipas' estava sendo feliz para sempre, até que descobriu que a felicidade muda de significado várias vezes durante o percurso de uma vida. Ninguém sabe direito o que é felicidade, mas, definitivamente, não é acomodação. Acomodar-se é o mesmo que fazer uma longa viagem no piloto automático. Muito seguro, mas que aborrecimento. É preciso um pouquinho de turbulência para a gente acordar e sentir alguma coisa, nem que seja medo.

Tem muita gente que se distrai e é feliz para sempre, sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses, depois infeliz por uns dias, felicíssimo por uns instantes em outros instantes achar que ficou maluco, então ser feliz de novo em fevereiro e março, e em abril questionar tudo o que se fez, aí em agosto ser feliz porque uma ousadia deu certo, e infeliz porque durou pouco, e assim sentir-se realmente vivo porque cada dia passa a ser um único dia, e não mais um dia.

Eu não gosto de montanha-russa, o brinquedo, mas gosto de montanha-russa, a vida. Isso porque creio possuir um certo grau de responsabilidade que me permite saber até que altura posso ir e que tipo de tombo posso levar sem me machucar demasiadamente: alto demais não vou, mas ficar no chão o tempo inteiro não fico.

Viver não é seguro. Viver não é fácil. E não pode ser monótono. Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados onde nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação. E estando lá, rever escolhas e recalcular a duração de 'para sempre'. Muitas vezes o 'para sempre' não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar."

Julho de 2001

5 comentários:

Paula Pucci disse...

Oi, Anne!!!
Meu feriado não é tão comprido qto o seu, volto ao trabalho amanhã, embora como já conversamos, trabalhar pode ser altamente contrapoducente... gostei do texto que postou... eu, pessoalmente, estou numa rotina de previsibilidade total, doidinha porém para ser arrebatada pelo imprevisível... a algum tempo atrás eu estava bem feliz com essa mesmice monocórdia, mas hoje... É aquele negócio: "Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes, prefiro ser uma metamorfose ambulante..."
bjins
Paula

Sônia disse...

Oi Anne,
Saudade de você... E que bom ler sua postagem loga na segunda feira. rsrsrrsr...
Adorei e, claro, vou comprar e devorar o livro.
Mas já anotei a frase que me chamou a atenção e colei em meu armário para não esquecer.
" Cuidado para não se distrair, senão você corre o risco de ser feliz para sempre!" (Martha Medeiros).
Super beijo. Cuide-se bem. Espero encontrá-la em breve...

Anne Elise Previdi (Galadriel) disse...

Paula.

Que jóia, você por aqui.

Pois, é...agora você deve estar aí no trabalho...mas, o bom de trabalhar nas emendações de feriado é que não tem muita gente por perto...assim, até dá para "produzir alguma coisa produtiva" (nem que seja aprender aquele acorde difícil...rs!!!).

Mudanças, muitas vezes, nos causam medo...e, tudo tem seu tempo...(como está escrito no bom e velho "Eclesiastes"...adoro Eclesiastes e Os Cânticos dos Cânticos)...

"Eu tenho medo que as coisas nunca mudem..."...como disse alguém que, agora, não lembro quem foi...rs!!!

Super beijos!!!

Anne Elise Previdi (Galadriel) disse...

Sônia.

Poxa...super saudade mesmo!!!

Que jóia que sua segunda-feira começou bem...
Eu acordei tarde porque fui dormir também taaaaarde... não sosseguei enquanto não terminei de ler o livro...alíás, eu desassosseguei após ter lido o livro (nossa, quantos "s")...estou "na pilha", quero ler tudo desta autora...amei demais!!!

Eu, também guardei aquela frase...e, estou me policiando neste sentido...vai que eu "me perceba" feliz para sempre (aliás, já estou)...ainda mais eu, que adooooro um drama...rs!!!

Este livro é um Pocket da L&PM.

Super beijo!!!

Cuide-se!!!

Tomara que logo, mesmo!!!

Anônimo disse...

Franz Kafka...onde está á escritora do blog e novos posts?
Até +